Núcleo de Espiritualidade

Rosa Cecilia Pietrobon

Profissionais das diferentes áreas da saúde e instituições de saúde do mundo todo começam a incluir nas suas rotinas de maneira sistemática e definitiva a prática de estimular nos pacientes o fortalecimento da esperança, do otimismo, do bom humor e da espiritualidade. O objetivo parece simples: despertar ou fortificar nos indivíduos condições emocionais positivas, já abalizadas pela ciência como recursos eficazes no combate a doenças. Esses elementos funcionariam, na verdade, como remédios para a alma – mas com repercussões benéficas para o corpo.

A maioria das faculdades de medicina dos Estados Unidos e algumas no Brasil já disponibilizam algum tipo de treinamento nesta área. Organizações como a Organização Mundial da Saúde, o Joint Commission on Accreditation of Health Care Organizations e o American College of Physicians (EUA), têm enfatizado a importância de abordar questões de espiritualidade na prática clínica. Associações profissionais como o Royal College of Psychiatrists (do Reino Unido), a American Psychological Association e a World Psychiatric Association possuem departamentos ou grupos de interesse em Espiritualidade/Religiosidade.

A psicologia da saúde tem se referido à religiosidade e à espiritualidade como aspectos auxiliares no enfrentamento da doença, podendo-se dizer que a religiosidade e a espiritualidade contribuem para a melhoria da qualidade de vida, por enfatizar os aspectos sadios do desenvolvimento humano. Em 1998, surgiu com Martin Seligman, a discussão acerca dos fatores de proteção da saúde na Psicologia positiva.

Refletindo sobre o que Boff L. (2006) refere, espiritualidade é aquilo que produz dentro de nós uma mudança. O ser humano é um ser de mudanças, pois nunca está pronto, está sempre se fazendo, física, psíquica, social, cultural e espiritualmente. Há mudanças que não transformam, no entanto as mudanças interiores podem transformar nossa estrutura de base.

Pensando a saúde como um processo dinâmico de desenvolvimento em quatro níveis: físico, psíquico, social e espiritual (OMS, 1998),observa-se que saúde transcende aos aspectos meramente fisiológicos estando relacionada à busca por uma melhor qualidade e estilo de vida, onde a dimensão espiritual necessita ser também desenvolvida.

Considerando que a busca do sentido e do significado da vida é uma das necessidades fundamentais do ser humano, a qual o distingue, até onde sabemos, das demais espécies, a Psicocardiologia tem como proposta levar o paciente a buscar o autoconhecimento.

A Psicocardiologia propõe que a doença possa levar a um aprender a escutar os sinais do corpo e repensar seu processo humano-espiritual por meio da “escuta do coração”, em todas as suas dimensões: física, emocional, relacional, psíquica e espiritual.

Considerando que o Instituto Brasileiro de PsicoCardiologia (IBP) é uma instituição de ensino e pesquisa formada por equipe multidisciplinar com enfoque interdisciplinar, que tem como base de seus estudos o homem na sua totalidade biopsicossocial e espiritual,  destaca-se a importância do processo de autoconhecimento, através da história pregressa do paciente.

Considerando que o objetivo do IBP é instrumentalizar profissionais da área da saúde na prevenção primária, prevenção secundária e na reabilitação de pacientes coronarianos, através de uma perspectiva biopsicossocial e espiritual torna-se imprescindível trabalhar na equipe de saúde uma formação com ênfase na dimensão espiritual.

Como profissionais de saúde necessitamos ainda estar preparados para pensar e trabalhar a dimensão espiritual, através de uma escuta das nossas necessidades espirituais, sendo o ser humano um ser em relação: consigo mesmo, com seus semelhantes, com a natureza, com a divindade. No fundo, a espiritualidade sempre tem a ver com o transcender a si mesmo e para transcender a si mesmo é preciso entrar em relação.

Dessa forma o Instituto Brasileiro de PsicoCardiologia busca ampliar seus estudos em relação a Espiritualidade, através de capítulos em livros, grupos de estudos, pesquisas e atendimentos com intervenções onde o histórico espiritual do paciente seja também considerado, pensando a Espiritualidade como uma das dimensões da pessoa e como um fator  protetor para a saúde cardíaca.


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